Uma lágrima silenciosa se esconde, mas os olhos já não brilham anunciando sua chegada.


São olhos cansados desta guerra travada em pensamentos cortantes


E não há uma segunda chamada, não há como recomeçar


Então aqui vou eu, caminhando a passos tímidos na direção da vida


A cada escolha, uma cicatriz deixa o rastro de tristeza na pele, na lágrima, na alma


Mas a cada queda um recomeço, uma vitória maior


Eis que a solidão é minha companheira


E mais uma vez só há palavras, ninguém para ouví-las


Murmúrios esperançosos de um novo amanhã


Mas você está aí, em algum lugar, e me preparo para o encontro


Enquanto escorrego pelos dias, lastimando as horas perdidas em tristezas passadas


Tentando não tropeçar nelas novamente


Me aqueço em uma esperança sem sentido, mas que permanece ali, sentada, me observando


Desde o princípio, ainda que esteja cada vez menor à minha vista


Continua ali, vez ou outra me faz uma visita em sonhos e enche meus dias


E em oníricas lembranças deixo um rastro de flores por onde passo


Sento ao cume da colina e faço compania à árvore solitária


Aprendo com ela a cultivar a plenitude da solidão


A paz que há no nada


E a lágrima cai de olhos adormecidos em solo fértil


Trazendo a esta pequena alma a saciez para sua sede.


(22 de agosto de 2009)