Sexo virtual


Com o surgimento da internet no fim do século XX, logo surgiram novas formas de comunicação, de espalhar informações, de fazer jornalismo e até mesmo de se fazer sexo.
O sexo é um dos assuntos mais presentes na Internet, fato
comprovado pela quantidade absurda de sites pornográficos e pela troca de imagens, vídeos e até mesmo leilões de calcinhas usadas e de virgindade pela rede.
Estas inovações vieram como uma faca de duplo gume, afinal, não são poucos os escândalos de imagens de celebridades em sua intimidade que circulam para o deleite dos curiosos e fãs. Além disso, muitas mulheres e crianças são expostas e/ou exploradas sexualmente por familiares e outras pessoas, crimes passíveis de punição rígida perante a Lei.
A internet possibilitou, por outro lado, que pessoas pudessem se encontrar, virtual ou pessoalmente. Pessoas que jamais se cruzariam em outra circunstância.
É importante frizarmos que a segurança nunca é uma garantia quando lidamos com o mundo virtual. Afinal, é muito difícil garantir que a pessoa do outro lado seja realmente quem diz ser.
No meio dessas novidades todas, surgiu o sexo virtual.
Praticado entre casais separados pela distância, entre estranhos e entre "amigos virtuais", se tornou algo bastante comum, especialmente através de salas de bate papo.
A prática consiste em trocar palavras picantes, descrevendo o que está fazendo consigo, o que gostaria de fazer com o outro e as fantasias mais íntimas são reveladas ali. A imaginação é uma ferramenta muito importante nessa hora.
Nas salas de bate-papo é possível garantir certa privacidade, já que são utilizados Nick´s (nome virtual escolhido pela pessoa que pratica). E encontram-se pessoas desinibidas falando em linguajar bastante direto sobre como são (ou gostariam de ser) fisicamente e o que gostariam que fizessem com elas. Convites são disparados aleatoriamente até se encontrar alguém com quem "brincar".
Algumas pessoas utilizam outros meios virtuais, fora sites de chat, para seus encontros na rede. Programas como o msn e skype, possibilitam a utilização de uma webcam para apimentar o sexo virtual.
Ali pessoas trocam imagens de masturbação, ou mesmo casais se expõem fazendo sexo para o deleite da outra parte, através da câmera do computador.

Nem sempre é algo compreensível, afinal pela lógica, palavras numa tela de computador não são exatamente a definição de erótico ou sensual. Porém para os adeptos da prática é algo altamente excitante e muitas vezes uma opção de sexo seguro, sem precisar sair de casa.
Para casais separados pela distância, se torna uma forma de extravasar a tensão sexual e de certa forma, matar a saudade.
E para pessoas solitárias e tímidas, acaba sendo uma forma de vivenciar sua sexualidade de maneira livre, já que não há necessidade de se expôr. Estas pessoas tendem a exercer todas as suas fantasias, das mais íntimas e bizarras possíveis, através destas palavras e imagens, e assimilam esta como uma forma efetiva de sexualidade.

Independentemente das circunstâncias, é importante se tomar alguns cuidados na prática do sexo virtual.
Para especialistas em computação, é possível hackear o computador da outra pessoa, saber de sua localização e até mesmo acessar dados de suas contas pessoais em bancos ou redes sociais. Além de instalar um programa Spyware, que colhe as informações dadas em sites (email, telefone, endereço, documentos pessoais, números de conta e senha) e envia de maneira remota à outro computador.
Além disso, nos casos em que se utiliza a webcam, nunca se pode saber se a outra parte está gravando as imagens ou fazendo fotos através da sua exibição. Estas imagens podem ser utilizadas em sites de pornografia e os filmes vendidos, expondo sua sexualidade de maneira aberta e permanente na rede.
Então, se tem o costume ou a curiosidade de saber como é, eis algumas dicas para praticar sexo virtual com segurança:

*Ao conversar em chat evite utilizar seu nome verdadeiro e jamais revele seu nome completo. Há uma razão para a utilização dos nicknames.
*Jamais revele dados da sua vida pessoal, forneça telefone, endereço ou qualquer dado que possibilite a outra pessoa rastreá-lo/a
*Ao utilizar webcam, garanta que seu rosto não apareça na imagem.
*Não receba arquivos ou vídeos, pois eles podem conter vírus embutidos.
*Jamais marque encontros fora da internet, pois não há como garantir sua segurança. Há psicopatas capazes das mais ardilosas manobras, e você se expõe e à sua família, abrindo precedentes para perseguições, chantagens e ameaças.

Parta do princípio de que não sabe quem está do outro lado e assim como acontece na vida real, tudo é possível.
Encontros virtuais podem sim, acabar em relacionamentos sérios e duradouros, mas estes são a exceção à regra.

Feitos os devidos lembretes sobre sua segurança, falemos um pouco sobre este mundo virtual de sexualidade.
A liberdade que é necessária se vivenciar na nossa vida sexual naturalmente, se torna mais fácil de colocar em prática no mundo virtual.
Afinal, não é necessário revelar sua identidade e a outra parte não poderá julgá-lo/a. Se torna um jogo de palavras que vão tomando forma na imaginação. Como sabemos, o cérebro é o mais potente órgão sexual e o corpo reage em proporção aos estímulos.
Muitas pessoas gostam de ser estimuladas sensualmente através da leitura e das palavras. Há muitos sites especializados em contos eróticos com grande demanda de público.
É uma forma de manter viva sua imaginação e desprender da realidade dos sentidos para adentrar num mundo onde qualquer fantasia é possível.
Assim como homens se masturbam com imagens de sexo ou nudez, há pessoas de ambos os sexos que se sentem altamente erotizados ao lerem contos e poemas eróticos.
É o elemento de liberdade que garante essa excitação, pois nossa mente pode providenciar quaisquer fantasias que desejarmos.
No sexo virtual é mais ou menos isso que acontece.
As palavras tomam forma em nossa imaginação e a fantasia se torna algo palpável pela excitação que causa no corpo.
O corpo reage como se estivesse sendo estimulado pelos sentidos e a imaginação prova ser tão eficiente quanto todas as outras formas de sexualidade.
Geralmente a maior dificuldade é a comunicação. Afinal, não temos por hábito utilizar palavras sensuais em nosso dia a dia. E como ali, o jogo está justamente nessas palavras trocadas, tudo depende da nossa habilidade de descrição.
Nessa hora, a dica são exatamente os contos eróticos. Através desta leitura descobrimos formas muito criativas de descrever atos como sexo oral, por exemplo.
A sensibilidade com seu próprio prazer e excitação, bem como o da pessoa no outro lado, se faz tão necessária quanto no sexo presencial. À medida que a conversa vai esquentando, cada um vai descrevendo como se sente, o que deseja e assim vão construindo sua fantasia juntos.
Fica muito mais fácil esta conexão para casais, que estão circunstancialmente separados, afinal já conhecem os gostos um do outro e sabem como se provocar.
Mas nossa imaginação não tem limites, assim como ambos podem estar imaginando cenas diferentes, porém conseguindo se comunicar e conectar da mesma forma.
A verdade e a realidade nem sempre são necessárias ou praticadas. Justamente pela liberdade e pela ausência de obrigações, tudo é possível.
Tocar o próprio corpo acaba se tornando uma necessidade no auge da excitação, e o orgasmo é perfeitamente possível, se a pessoa consegue teclar e se masturbar com certa agilidade.

O sexo virtual praticado com responsabilidade pode auxiliar no auto-conhecimento, pois as fantasias correm soltas pela imaginação e é possível descobrir as coisas das quais mais gosta, fantasias que podem estar escondidas, em quais pontos prefere ser tocado/a e quais são os seus limites. Pode ser uma ferramenta de auxílio para dar passos lentos de sociabilização para os mais tímidos e ajudar na batalha contra bloqueis (sexuais, sociais e/ou emocionais).

Porém vale lembrar que nada substitui o bom e velho sexo feito com corpos se conhecendo, mentes se encontrando e corações se abrindo.

Para finalizar, cito parte de um conto erótico de Anaïs Nin, encontrado no seu livro Delta de Vênus:

"O aventureiro livre e incapturável, pulando assim de um ramo dourado para outro, quase caiu em uma armadilha de amor, quando uma noite conheceu uma bailarina brasileira chamada Anita em um teatro peruano. Os olhos amendoados de Anita não se fechavam como os das outras mulheres, e sim como os dos tigres, dos pumas e dos leopardos; as duas pálpebras se encontravam lenta e preguiçosamente; aqueles olhos pareciam implantados um tanto próximos do nariz, o que os fazia estreitos, com um jeito lascivo e oblíquo, como o olhar de uma mulher que não deseja ver o que está sendo feito de seu corpo. Tudo isso lhe dava o ar de uma criatura com quem estivessem fazendo amor,
o que excitou o Barão ao conhecê-la.
Quando ele foi vê-la no camarim, Anita estava se preparando entre uma profusão de flores; e para a delícia dos admiradores que se achavam sentados à sua volta, pintava seu sexo com um batom, sem permitir que fizessem qualquer gesto em sua direção.
Com a entrada do Barão, ela limitou-se a erguer a cabeça e a sorrir para ele.
Tinha um pé sobre uma mesinha, e seu requintado vestido brasileiro estava erguido; com as mãos cheias de anéis ela voltou à pintura, rindo da excitação dos homens que a cercavam.
Seu sexo era como uma gigantesca flor de estufa, maior do que qualquer um que o Barão já tinha visto, envolto por pêlos abundantes e crespos, lustrosos e negros. Eram os lábios que ela pintava como se fossem uma boca, com todo o cuidado até que ficaram semelhantes a camélias vermelho-sangue, abertos à força, mostrando o botão inferior fechado, o coração mais pálido, de fina pele de flor.
O Barão não conseguia persuadi-la a ir cear com ele. A aparição de Anita no palco era apenas o prelúdio de seu trabalho no teatro. Seguia-se depois o espetáculo pelo qual era famosa em toda a América do Sul, com os camarotes às escuras e de cortinas semicerradas cheios de homens da sociedade vindos de todas as partes do mundo. Não se levavam mulheres a esse espetáculo burlesco de alta classe.
Anita se vestira de novo; pusera um vestido de saia rodada que usava em cena para suas canções brasileiras, mas sem o xale. A parte superior não tinha alças, e seus seios ricos e abundantes, comprimidos pela roupa de cintura apertada, precipitavam-se para cima, oferecendo-se quase que por inteiro ao olhar de todos.
Enquanto o resto do espetáculo prosseguia, ela circulou pelos camarotes nesse traje. Diante de um deles, a pedido, ajoelhou-se à frente de um homem, desabotoou suas calças, tomou-lhe o pênis entre suas mãos cheias de anéis, e com uma destreza, uma perícia, uma sutileza que poucas mulheres jamais haviam conseguido desenvolver, chupou-o até que o homem ficasse satisfeito. Suas mãos eram tão ativas quanto sua boca.
A excitação era tanta que quase fazia os homens perderem os sentidos. A habilidade de suas mãos; a variedade de
ritmos; a mudança de um aperto firme no pênis inteiro para o mais leve toque em sua extremidade, de uma vigorosa massagem em todas as partes com um quase imperceptível puxão nos pêlos, à volta — tudo isso feito por uma mulher excepcionalmente bela e voluptuosa, enquanto a atenção do público estava voltada para o palco. Ver o pênis entrar em sua boca magnífica por entre os dentes cintilantes, enquanto seus seios arfavam, dava aos homens um prazer pelo qual pagavam."