O que é sexo?

Poderíamos definir como um ato consensual entre duas pessoas. Um ato onde os desejos e anseios por prazer são satisfeitos.
Mas muitas pessoas associam, não por acaso, as palavras vergonha e culpa ao sexo, à própria sexualidade.
Por que?
No fundo, não importa porque. Importa, entretanto, que essa associação deixe de existir. Culpa sentimos por fazer algo errado.
Mas como pode sexo, algo tão natural e comum em toda a natureza, ser algo errado? Não pode porque não 
é.
Sexo é algo perfeitamente natural, faz parte de nossa natureza enquanto primatas, enquanto seres sexuados. Nossos hormônios nos impelem ao ato, nossos desejos, nossa vontade de aproximação emocional e física.
Algo assim não é feito para ser restringido ou condenado. Não existe definição de certo ou errado para ser.
Ninguém é julgado por ter cabelo liso ou cacheado como uma melhor ou pior pessoa, não é?
Agora vergonha, é algo que nos toma quando sentimos que aquele algo errado somos nós. E isso não deveria ser experimentado por ninguém. É uma noção estúpida e preconceituosa, de que existem moldes para a perfeição.
É a mesma noção que nos leva a crer em modelos estéticos para a beleza feminina, ou que nos diz que uma sexualidade só pode ser heterossexual, monogâmica, e sem camisinha, apenas para fins de procriação. Social, econômica, religiosa e culturalmente somos tendenciados a acreditar em padrões e margens que dividem o certo do errado de forma maniqueísta.
Preto no branco, ou oito ou oitenta.
Como se fôssemos criaturas absolutas, onde bem e mal não coexistem. Como se feminino só pudesse ser sinônimo de pureza ou perversão demoníaca. Onde as pessoas temem a liberdade, por não saberem o que fazer com ela, assumir a responsabilidade sobre suas próprias vidas.
Em último grito, assumem o direito de julgar a sexualidade alheia, pois assim não precisam temer seus próprios limites. Pois não terão necessidade de explorar sua própria sexualidade.
E explorar o desconhecido é sempre algo assustador.
Mas que tal separarmos o sexo da culpa e da vergonha?
Que tal o separarmos do medo, da ilusão e do julgamento?
Aceitar os fatos afinal, sexo é NATURAL, sexo consensual entre duas pessoas, não importando suas preferências, feito com respeito é perfeitamente NORMAL.
Elefantes fazem, periquitos fazem, gatos fazem, borboletas fazem, coelhos fazem e eu e você fazemos.
Talvez nem sempre com a frequência ou intensidade desejadas, mas fazemos. Quando, com quem e como desejarmos.
Pois esta é nossa natureza. A liberdade de escolha, a responsabilidade assumida, e o direito de optar por quaisquer modalidades disponíveis no mercado.
Homo, bi, grupal, anal, amarrados, com brinquedos, com palmadas, monogâmico, exótico, mamãe-papai... Tudo é normal!
Se há respeito, se é consensual e livre da opinião de qualquer outra pessoa [que não esteja ali praticando], é absolutamente normal.
O que falta para chegarmos a um consenso a respeito disso?