O papel da mulher em nossa sociedade


Numa sociedade dividida entre o antes e depois da revolução sexual, o papel do homem e da mulher se tornou misto, andrógino.
Com a libertação de diversos paradigmas de gênero as mulheres alcançaram e continuam alcançando lugares jamais cogitados. Mulher hoje vota, escolhe quando terá filhos, tem uma carreira, é chefe de família, anda pelas próprias pernas.
O problema nessa desconstrução dos papéis de gênero no âmbito social está em justificar injustiças através da própria luta pela liberdade da mulher. Homens e mulheres não são iguais, e jamais serão.
Estudos comprovam que a estrutura cerebral de uma mulher funciona de forma completamente distinta da de um homem. Os hormônios tem papel fundamental no desenvolvimento do cérebro humano a ponto de modificar a sua capacidade cognitiva, motora, muscular e emocional.
Homens não sangram mensalmente, homens não tem filhos, homens não tem os mesmos instintos que a mulher tem pela prole. Não estão impedidos de o  desenvolver, afinal o cérebro é uma máquina que foi projetada para constante adaptação e evolução.
Porém nestes termos, não há possibilidade de se comparar níveis de importância entre o papel do homem e da mulher perante a sociedade e no seio familiar. Ambos carregam qualidades natas complementares, tão essenciais à sobrevivência e evolução da espécie quanto se possa imaginar.
A mulher naturalmente gera vida, a nutre em seu seio, a protege do mundo. O homem naturalmente zela pela proteção, segurança e bem estar de sua família.
Mas quando os papéis se tornaram obsoletos perante as necessidades em um mundo globalizado, mulheres abdicam do seu papel de educadora e mantenedora do lar para lutar e garantir subsistência básica, tais quais um teto sob a cabeça de sua família, comida na mesa, roupa para vestir, educação e saúde.
Mulheres assim, não tem horas suficientes em seu dia para estar presentes na vida de seus filhos plenamente e garantir assim a sua instrução de valores e moral. A mãe perdeu seu lugar no seio familiar quando passa a ser chefe de família. E não perdeu por falta de amor, de tentativa, consciência da sua importância. Perdeu para a sobrevivência o direito de viver bem e projetar um futuro promissor à sua linhagem.
Historicamente as mulheres não herdavam os bens da família, estes bens eram passados aos filhos homens e dotes eram dados em troca do matrimônio no caso da mulher. Porém quando a mulher ousou reivindicar o direito à separação matrimonial, nossa sociedade se viu perante a quebra do paradigma familiar onde a mulher não passava de genitora em um papel secundário na garantia do bem estar da família. Essa mulher passou a ter direito de receber os meios de prover por sua família através da pensão alimentícia. Leis foram criadas para garantir que esta mulher jamais ficasse às mínguas com os filhos sob os braços. Homens precisariam garantir qualidade de vida para a família, ainda que não estivessem vivendo sob o mesmo teto.
Muitas vezes, estas mulheres recebiam pensões vitalícias, para garantir os meios de subsistência e de crescer como profissional e/ou mãe de família.

Mas após a revolução sexual este papel sagrado da mulher, o direito de estar no lar e cuidar dos filhos, passou a ser interpretado de outra forma. Juízes passaram a questionar a obrigação de trabalhar fora. Estava ali sendo podado pela raiz o papel da mulher na família.
Hoje vivemos uma realidade cruel, onde crianças são amontoadas em creches aos 4 meses de idade. Sem amor, sem carinho ou atenção às suas necessidades. São arrancados do seio materno pela necessidade de sobrevivência.
Homens não honram mais o papel de pai e provedor, abandonam mulheres à própria sorte sem olhar para trás e usam dos meios mais vis para se esquivar desta obrigação.
Homens e mulheres não são iguais, sendo assim, não podem ter as mesmas obrigações e direitos. O papel do homem no seio familiar hoje, possibilita uma postura muito mais amorosa e próxima dos filhos, o papel da mulher lhe garante a liberdade da educação superior e do desenvolvimento de uma carreira profissional feliz.
Porém quando a sobrevivência está garantida, não caberiam estabelecerem-se prioridades?
O papel da família se perdeu na história, sendo hoje os professores obrigados a trabalharem concepções e valores morais, em uma sociedade cada vez mais preocupada com o consumo e menos preocupada com as próximas gerações.
A mulher precisa definitivamente ter garantidos seus direitos, porém na prática vemos mulheres com a mesma capacitação profissional (algumas vezes até mesmo superior) recebendo salários inferiores aos de homens sem nenhum outro motivo que não seja o gênero. Empresas desprezam funcionárias, muitas vezes as demitindo sumariamente em caso de gravidez, seja antes ou depois do parto e da licença maternidade. Mulheres se obrigam a cargos informais, sem a garantia de seus direitos básicos através de uma carteira assinada.
A saúde da mulher, tão em vogue na mídia hoje, com campanhas pela prevenção do câncer de mama, não parece carecer de atenção nos casos de exploração que muitas de nós sofremos com intermináveis horas extras, stress por assumirem funções adicionais e sofrer assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.
O importante para a sociedade de hoje é manter a roda do consumismo girando, ainda que as escolas se tornem depósito de crianças com educação de péssima qualidade sob constante ameaça com drogas e violência.
Sofremos com a violência doméstica, abuso sexual dentro e fora de casa, estando à mercê da covardia durante toda nossa vida. As leis não se fazem cumprir e são irrisórias na hora de garantir a segurança da mulher.
Mães perderam seu papel, obrigadas a assumir o papel ambíguo de mãe/pai chefe de família. Fisicamente esgotadas e sem tempo para atentar à educação formal, desenvolver valores morais e emocionais, se deitam toda noite com apenas uma coisa na cabeça: “Amanhã preciso estar de pé, pois minha família depende de mim.”

Me pergunto onde está a justiça na interpretação das leis de separação conjugal hoje, onde homens se esquivam de suas obrigações perante não apenas seus filhos, mas perante a mulher que o apoiou e amou enquanto construía sua carreira. Aquela que fez a comida, cuidou dos filhos, da casa, das finanças e dele por anos.
Onde estão os homens de nossa sociedade? Juízes interpretam a importância do papel da mulher ainda de maneira secundária, agora lhe tolhendo garantias básicas como moradia, alimentação, educação e saúde. Isso quando não lhe tolhem totalmente o papel, dando a guarda dos filhos ao pai, que segue sua vida construindo uma nova família a deixando destruída desolada a mãe de seus filhos. Sem remorso algum, vira-lhe as costas sem jamais olhar para trás.
Juízes homens cuidam de casos de separação matrimonial com o mesmo preconceito de 100 anos atrás, onde o papel da mulher no seio social e familiar eram subjugados e inferiorizados de todas as maneiras possíveis, às custas das crianças, às custas da construção de uma sociedade mais justa e humana.
Ao nascer, é o cheiro da mãe que o bebê procura, é seu seio, é seu colo e segurança. Não o de estranhos em uma creche, não o do pai, mas o daquela que o manteve seguro em seu ventre, em seu seio, em seu lar.

Que os homens voltem a ser homens. Honrem seus culhões e a obrigação de garantir os meios para que toda mulher tenha o direito de escolher estar ao lado dos filhos e não batendo cartão na fila da fábrica, sendo explorada para colocar comida em casa.