Traição
Quanto mais o tempo passa,
mais fico convencida de que a traição não é apenas uma questão de caráter, mas
também de medo. Longe de convenções sociais, de tabus a respeito de poligamia,
trata-se de algo mais enraizado na coragem de enfrentar os problemas.
Os relacionamentos comuns
se iniciam no auge da paixão, baseados na vontade mútua de estar perto, de
cuidar e querer bem. Uma espécie de contrato informal, “se eu te amo e você me
ama também, vamos ser só nossos?”. Contratos esses, que não tem o mesmo peso e
medida para homens e mulheres de todas as idades, mesmo em relacionamentos
homossexuais.
O mundo lá fora está repleto de pessoas solitárias, procurando alguém para amar. Mas então porque aqueles que tiveram a sorte de encontrar alguém que lhe dedica seu coração ainda assim traem?
O mundo lá fora está repleto de pessoas solitárias, procurando alguém para amar. Mas então porque aqueles que tiveram a sorte de encontrar alguém que lhe dedica seu coração ainda assim traem?
Em parte, acho que se esquecem de como é não ter ninguém. Ninguém mesmo, porque
pessoas que como dizem “pegou” na balada pra satisfazer as taras não contam
como alguém. Porque por mais gente boa que seja, simpática e carinhosa, essa
pessoa não vai lhe fazer um café da manhã, acordar com beijinhos dizendo que
lhe ama, mandar flores, descobrir algo que você sempre quis e fazer uma
surpresa. Isso é uma condição inata dos enamorados. Estar só se aproxima da
solidão, de não ter alguém com quem dividir as alegrias e frustrações do seu
dia. É dormir sozinho quando queria ganhar um carinho, não ter nenhuma mão pra
segurar quando caminha na praia, ir ao cinema e rir sozinho. É não ter ninguém
pra conversar naqueles momentos inesperados, porque não iria incomodar um amigo
com algo assim. E estar só é triste.
Por mais independentes, felizes e bem resolvidos que sejamos... “O homem é um
animal social”, como já dizia Aristóteles. Precisaremos de companhia em algum
momento. E quando as coisas vão bem e estamos com a cabeça ocupada, isso passa
longe da nossa porta. Mas quando os caminhos começam a apresentar pedras e o
tempo passa, vemos que existe um mundo lá fora repleto de superficialidades e
egoísmo, carências e dependências emocionais, possessividade.
Amor e paixão a gente não
escolhe, não se tem na hora que quer.
Quando tiramos a sorte
grande, a paixão acelera o coração, os caminhos se enlaçam, borboletas nos
tiram do chão e um sorriso teima dia após dia precipitando o próximo encontro.
Mas paixão é hormonal, e
passa. O organismo desenvolve tolerância a esse feitiço e aos poucos vamos
colocando novamente os pés no chão, passando a ver não apenas as coisas
maravilhosas que o outro tem, mas também seus defeitos, suas manias, suas
limitações. Da mesma forma deixamos de fingir nossa própria perfeição e os
traços de que temos com pouco (ou nenhum) brio, se apresentam para o casal.
Nessa hora a maturidade, a humildade e capacidade de deixar o orgulho de lado nos permitem crescer como pessoas. Ter alguém ao nosso lado permite e exige crescimento. Essa pessoa tão linda e chata nos abre os olhos para defeitos que muitas vezes teimávamos em ignorar e isso, meu amigo, ninguém gosta.
Nessa hora a maturidade, a humildade e capacidade de deixar o orgulho de lado nos permitem crescer como pessoas. Ter alguém ao nosso lado permite e exige crescimento. Essa pessoa tão linda e chata nos abre os olhos para defeitos que muitas vezes teimávamos em ignorar e isso, meu amigo, ninguém gosta.
Os casais encontram as mais variadas formas de se relacionar, nesse jogo de adaptação e aceitação. E digo a vocês que cada um tem o relacionamento que merece. Não há algozes e vítimas pelo simples fato de que qualquer coisa que o outro nos imponha, foi aceito e acatado por nós. Seja se afastar dos amigos, deixar de ter momentos de lazer como um futebol aos domingos ou uma cerveja com música ao vivo, seja vasculhar seu celular, cheirar sua roupa e ter a senha da sua conta do facebook. Cada um sabe de si e precisa assumir que não é ele ou ela que está tornando o relacionamento difícil, mas se olhar com franqueza no espelho e dizer... eu tenho medo.
Medo de mais uma discussão
interminável, de ficar sem sexo, de um escândalo na frente dos amigos, de
precisar me desculpar depois de falar algo impensado, de aceitar que ela/e
possa estar certa/o, de terminar, (...).
O medo é um sentimento
natural, inerente ao ser humano. Ele é um alerta do nosso cérebro, de que algo
pode dar errado. E é muito importante para não cometermos as maiores burradas
da nossa vida.
Mas o medo é parte de um processo, não é todo ele. Aparece quando pensamos em dar o primeiro passo em direção a algo que desejamos, nos alerta dos perigos e do que pode sair fora do programado. Ele tem motivo e prazo de validade. Porque quando nos escondemos atrás dele para deixar de tomar uma postura necessária, ele se transforma em covardia sem titubear.
Mas o medo é parte de um processo, não é todo ele. Aparece quando pensamos em dar o primeiro passo em direção a algo que desejamos, nos alerta dos perigos e do que pode sair fora do programado. Ele tem motivo e prazo de validade. Porque quando nos escondemos atrás dele para deixar de tomar uma postura necessária, ele se transforma em covardia sem titubear.
Assumir o leme das nossas
vidas nunca é algo fácil. É tanto que temos a perder, é tanto que temos para
explorar. Mas a verdade é que sem tentar, não podemos conseguir, sem tentar, nunca
conquistaremos nada.
Algumas pessoas chegam a
se enterrar num relacionamento infeliz por uma vida inteira, para não precisar
enfrentar as consequências de perseguir a felicidade. Mas cabe ver até onde vai
esse medo. Algumas pessoas distorcem os fatos a tal ponto, que jogam sobre o/a
companheiro/o de jornada todos os problemas, dificuldades e coisas ruins. É
muita cara de pau, quando você não tem coragem para defender aquilo que
acredita, precisa ou deseja e culpa o outro por ser o que é.
Defeitos todos temos, sexo
todos precisamos, sonhos todos matamos.
Levantar e caminhar
significa deixar coisas para trás. Seja família, amigos, ilusões, amores tortos
ou conforto e estabilidade.
O tema traição não é uma
questão de monogamia, mas de respeito e lealdade. Afinal, pra conhecer alguém
hoje não é necessário o status de namorados. Foram os dois que desejaram essa
formalidade, seja num relacionamento ou num casamento.
Esse contrato não precisa seguir moldes sociais, as cláusulas podem ser modificadas e adaptadas, adicionadas e retiradas. E esse contrato não é de domínio público. São vocês dois que decidem as regras e ninguém mais precisa saber delas. Mas cabe honra e caráter para cumprir com a palavra.
Esse contrato não precisa seguir moldes sociais, as cláusulas podem ser modificadas e adaptadas, adicionadas e retiradas. E esse contrato não é de domínio público. São vocês dois que decidem as regras e ninguém mais precisa saber delas. Mas cabe honra e caráter para cumprir com a palavra.
Mesmo que seja um
relacionamento monogâmico, é importante ao menos conversar sobre as
possibilidades, as concepções de cada um. Traição é um tema que precisa estar
na mesa pelo simples fato de que ela é uma possibilidade, ainda que remota.
Vale à pena terminar um relacionamento por conta de algo passageiro? Vale à pena
continuar um relacionamento em que apenas uma das partes é monogâmica? O amor
supera a tristeza, a insegurança, a decepção? O seu amor é capaz de perdoar?
Poligamia pode ser pecado para a igreja, mas é uma realidade para muitos casais felizes. Sim, felizes, porque o laço de confiança entre eles não se rompeu. Não houve mentira, enganação, hipocrisia ou falta de lealdade.
Fidelidade é diferente de lealdade, vale lembrar. Ser leal é ser verdadeiro, é olhar nos olhos e não ter nada escondido no porão, sentir a confiança e fazer jus a ela.
Poligamia pode ser pecado para a igreja, mas é uma realidade para muitos casais felizes. Sim, felizes, porque o laço de confiança entre eles não se rompeu. Não houve mentira, enganação, hipocrisia ou falta de lealdade.
Fidelidade é diferente de lealdade, vale lembrar. Ser leal é ser verdadeiro, é olhar nos olhos e não ter nada escondido no porão, sentir a confiança e fazer jus a ela.
Quando ambas as partes
estão cientes das clausulas e são fiéis a elas não há motivo para medo ou
desconfiança. Não há pecado, não há moral, fofoca, ressentimento ou medo que
possa diminuir esse amor que cresce no peito e torna a vida tão mais colorida,
tão mais feliz.
Entre duas pessoas que se
amam não há nada que possa se opor.
“A sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida” é de poucos afinal. Aquele amor sincero, em que ninguém esconde defeitos e fatos, em que somos amados pelo que somos e não o que aparentamos ou desejamos ser.
“A sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida” é de poucos afinal. Aquele amor sincero, em que ninguém esconde defeitos e fatos, em que somos amados pelo que somos e não o que aparentamos ou desejamos ser.
Viver pelo que se é e não pelas expectativas.
