Certos/as amantes parecem servir apenas para nos libertar de dogmas.
Desafiam nossos limites, acorrentam nossas vontades, esmagam nossa individualidade.
São como provações, para nos livrarmos dos desejos baixos e destrutivos.
Põem à prova as autoafirmações, manipulam, jogam com nossas inseguranças, usufruem das limitações.
São o tipo de pessoa que purifica nosso caminho pela dor, pela dificuldade e provação.
Mas são apenas ferramentas que nos vão polindo, feito diamante bruto.
E é necessário exercitar o perdão e a gratidão por estas pessoas nos terem testado.
De todo mal que possam ter feito, que sobre respeito pela imperfeição (de ambos) quando elas se forem.
Esses/as amantes não pedem perdão, mas que tenhamos nós a humildade de reconhecer nossos erros. Afinal, para deixar algo no passado, é necessário que esteja completamente apaziguado em nosso coração. Há crescimento para aqueles que assim o desejam.
Quando finalmente conseguimos nos libertar, desconectar completamente, a sensação inevitável é de alívio. Por ter desviado da bala, por ter evitado sofrimentos muito maiores, por ter conseguido mudar, crescer, melhorar a noção de mundo e de amor.
Aquele passado tão necessário, convicto de sua importância e coerência agora parece algo distante. Pertence a uma pessoa que não existe mais em nós.
Mas desviemos também do desprezo, não é porque conseguimos lavar a lama de nós que podemos fingir que ela nunca esteve ali.
Atraímos aquilo que era necessário para nosso crescimento, para conceber uma nova realidade. Que os novos caminhos então se encontrem em uma vibração mais elevada, suave, livre e feliz.
E que os corações não se fechem céticos e amargurados para um novo amor.
Mas tornem-se cautelosos e reservados para um amor de mais carinho, respeito e empatia.
Há o mundo de possibilidades, caminhos e amantes, para os que desejam sentir o cheiro das flores, o gosto do tesão, o toque do amor que emana da ponta dos dedos e na profundidade do olhar.