Tesão agressivo versus tesão passivo



Momento. O tesão se baseia no momento. Uma mistura de sensações, vontades, humores, hormônios e fantasias que se fundem na forma como amamos outro corpo.
Tesão é palavra tensa, de força intrínseca, mas não necessariamente agressividade.
Cada um sabe a vasão que pode, e dá ao desejo que sente, na forma como abraça seu amor, na forma como acaricia seu corpo com as mãos, boca, língua ou as partes mais gostosas do corpo.
Não adianta ferver nesse tesão se não pode dar vasão total a esse fogo. Então é importante se sentir completamente à vontade para tocar, beijar, comer com os dedos, foder, ou seja lá o que tenha vontade de fazer. Afinal, cada um chama como quer, mas todo mundo quer a mesma coisa.
Do tesão sobram artimanhas para dar e sentir prazer.
E numa transa saudável o prazer se dá ao ver o quanto a outra parte está se satisfazendo, o quanto ela lhe deseja corpo e alma. Quer tomar, devorar, amar e provar cada pedaço de você.
Essa recíproca, no entanto, pode ser processada de várias formas.

Algumas pessoas se satisfazem dominando, seja por força bruta, física; seja pela dominação psicológica, moral e territorial. Já outras se satisfazem em serem dominadas, subjugadas de certa forma. Se a combinação bate, o sexo há de ser glorioso. Com orgasmos intensos, muita lubrificação, gemidos extasiados.


Mas sexo não é uma guerra, está mais para uma gangorra sensual, como costumo chamar.
Se fosse cabo de guerra, alguém terminaria na lama enquanto a outra parte colheria os louros da glória. Porque na prática, um sai satisfeito em pleno orgasmo, outro sai humilhado, frustrado e inconscientemente enraivecido.

Se tesão é momento, pois bem, essa gangorra pende de um lado a outro até encontrar equilíbrio, até os corpos se chocarem encaixados, numa dança onde a satisfação é garantida, não importando qual seja a demanda pessoal.

Força, elasticidade, compostura, condicionamento físico (resistência muscular ao stress, ao exercício), cheiros, gostos, suavidade, cabelos, língua, ponta dos dedos, lubrificação e sêmen, mais conhecido como porra; são parte absoluta do sexo nosso de cada dia.

Mas como encontrar equilíbrio nessa gangorra? Pois bem, aí está a maturidade emocional que cada um dispõe. A experiência ensina que “Meu jeito, meu querer, MEU” não funciona bem assim. A coisa está mais para nosso, nosso jeito, nosso beijo, nosso corpo se conhecendo e descobrindo. Humildade e confiança numa busca que nada tem de contraditória.
Eu sei dar prazer? Ótimo. Agora vou descobrir como posso dar prazer a esse corpo gostoso que se estende lânguido sob minhas mãos.
Nenhum corpo pede as mesmas carícias, os mesmos meios para sentir prazer.
Mas todo corpo demonstra prazer da mesma forma.
Recuo, mãos que empurram, quadril que se afasta, ausência de gemidos, ausência daquela entrega ao deixar usar o corpo? Essa ausência de prazer um bom amante precisa saber identificar.

Sexo passivo ou ativo, não importa, precisa ser feito com respeito ao tesão dos dois.
Encontrou seu/sua amante num momento ativo versus ativo. Ótimo, vamos tirar proveito disso. Vamos prolongar essa foda até que os dois consigam gozar, vamos revezar, vamos descobrir.

Está com tesão por força bruta? Puxar cabelos, dar palmadas, apertar as ancas... E a outra parte logo de cara demonstra recusa. Problema à vista? De jeito nenhum.
Se não for egoísta, teimoso e imaturo vai saber provocar até o limite, levando à beira do orgasmo incessantemente até que a outra parte peça “raivosa” que lhe foda sem parar, até que a outra parte lhe puxe os cabelos enlouquecida pelo tesão.

“Não.” Palavra conhecida, ainda que pouco respeitada.
Insistir é normal, persistir é falta de consideração.
Afinal, adaptação é condição essencial para a troca de prazer verdadeira, para a entrega sem medo, sem desconfiança, sem ressentimento pós sexo.
Se ela deu as premissas para que possam fazer sexo anal, oras, obedeça!
Só tem a ganhar, ela pelos orgasmos intensos que pode sentir, ele, pelo prazer de entrar em sua mulher tão apertado e gostoso.
Mas se a machucar, meu amigo, fudeu e não no bom sentido da palavra. Ela vai perder a confiança em você e se, algum dia, voltar a tentar, é provável que sinta pouco prazer só pelo medo que o trauma anterior deixou em seu rastro de irresponsabilidade.
Sexo anal, para exemplificar, pode ser feito à força bruta sem causar nada de dor, nada de desconforto (salvo em casos de hemorroidas). E quanto mais rápido, mais gostoso.
Saber respeitar os pedidos, os “nãos”, as restrições, isso é coisa de amante de qualidade. Aquele que se preocupa em dar prazer e extrai disso o próprio gozo.

Sexo ruim é coisa de amador.
Gente que não se adapta, gente que é cheia de preconceitos e pudores patriarcais. Julga quem gosta de dar o cú, julga quem gosta de fazer um bom boquete, chama de vadia a mulher que transa no primeiro encontro. Mas enche a boca pra falar mal, na cara de pau acusar os outros de ser ruim de cama.
Coisa de muleque, pirralho que muitas vezes tem 40 anos na cara, mas 15 no sexo.
Sexo não se faz só com “paus e bocetas”, se faz com a cabeça.
Se faz com carinho, respeito, dedicação. Tesão de verdade.
Porque o resto é que nem cachorro que se agarra na sua perna e se esfrega até gozar. Aí, o que acontece é que a “cachorra” procura outro que lhe dê prazer de verdade.

Tesão é momento, tesão é gostoso, tesão é o que há. ;)