Ao nascermos somos preenchidos com toda sorte de informações, preceitos, moral, ética. Aos poucos vamos formando a nossa exclusiva noção de mundo, vislumbrando quem somos, o que desejamos e o que consideramos certo e errado.
Geralmente, num contexto ideal, temos na imagem refletida no espelho uma estima saudável. Nos vemos como dignos de respeito, amáveis, belos/as e acima de quaisquer suspeitas.
Pois bem, aí vem a vida e nos coloca à prova. Coloca à prova as questões morais e éticas que construímos, a própria noção do “quem sou eu” e nos mostra quem nem tudo é o que parece.

Em sociedade, regras estão estabelecidas desde muito antes de nosso primeiro choro. Nascemos em meio à princípios legais, de convivência e conveniência e logo aprendemos a usar um sorriso falso, controlar nossos ímpetos, redigir tudo de acordo com filosofias religiosas (que muitas vezes são regidas por conceitos milenares).
Mas a verdade é que o ser humano é muito mais feio do que a pintura aparenta. Somos muito menos virtuosos do que imaginamos, um tanto mais defeituosos e ainda que na busca do equilíbrio vivemos em eternos conflitos.
A ironia é que a máscara muitas vezes se torna uma muleta de apoio à nossa caricatura realidade. Fingindo intuito de não magoar, evitar conflitos desnecessários, facilitar o convívio e assim por diante, nos permitimos mentir, trair, enganar e iludir tanto os outros quanto a nós mesmos.


Mas do outro lado da moeda temos essa sociedade doente, onde o coletivo se permite as piores barbáries e ao mesmo tempo condena veementemente a liberdade e o poder de decisão do indivíduo. O senso crítico desaparece e com muita facilidade a massa segue em marcha ao abatedouro, feito boiada, às custas do direito e dever que cada ser tem sobre sua própria vida.
Conceitos de certo e errado completamente deturpados vão seguindo de geração em geração, baseados em tradição cultural, religiosa e/ou familiar. E condenamos homens, mulheres e crianças a vidas infelizes, sob o estigma da discriminação e do preconceito porque o senso comum assim caminha desde sempre.
Mas a sociedade humana se divide em subgrupos tão distintos e perturbados entre si quanto se possa imaginar. Preconceitos de gênero, raça, credo, opção sexual, estéticos e morais vão se disseminando livremente sob os olhos atentos de pais, preocupados em manter a tradição e os preceitos morais da sociedade em que vivem.

Então vemos que nem somos tão feios ou bonitos quanto a pintura sugere, da mesma forma que a sociedade não é lá tão sábia para orientar seus pupilos na busca pela felicidade geral da nação.
É saudável questionar, é imprescindível criticar e absolutamente necessário analisar. A liberdade está aí, e vem com responsabilidades inerentes a cada escolha que fazemos. E por mais que cada um sempre busque culpados e inocentes, a verdade é que cada um colhe o que planta, num ciclo onde o presente pode até ser reflexo das escolhas feitas lá atrás, mas é, ao mesmo tempo, nosso aliado para alterar o rumo de absolutamente tudo que desejarmos.
Eu sou feia e bonita, ao mesmo tempo. Tenho em mim a semente da perfeição e o asco das limitações. Faço coisas boas e ruins, sou ying yang. E é exatamente por isso que mudo, me adapto e me torno dia a dia alguém melhor.
Minha proposta é crescer, aprender, superar, elevar. Conhecer, explorar, mudar. E a sua, qual é?