Das borboletas no estômago


Ando sentindo falta, muita falta, de estar apaixonada.
De viver uma paixão, sonhar acordada, sentir aquele calor no peito. O frio na barriga quando do encontro, os pensamentos insistentes, as mensagens, sentir surgir um sorriso bobo no rosto enquanto o dia lá fora parece igual.
Mas é que quando a gente se apaixona, tudo aqui dentro muda, é uma mistura de quereres e possibilidades que deixa a vida mais colorida. A expectativa por um beijo se torna algo sublime, o romance se mistura à paisagem e cada poro do nosso corpo pede pelo toque do ser amado.
Até tentei me apaixonar, mas sabe como é, no coração a gente não manda. Ele gosta de aprontar as maiores sandices, e nos colocar em situações ridículas e impossíveis. Faz a gente acreditar que tudo pode dar certo, mesmo que essa pessoa more do outro lado do mundo. E não duvido, possa realmente dar. Se a gente alimenta esse bicho estranho chamado paixão, ele vai crescendo e engolindo todas as impossibilidades, transformando tudo em amor.
As músicas embalam um coração apertadinho no peito, que dança com as borboletas no estômago e leva a vida assim, mais leve e descontraída.
E é engraçado, não importa a idade, quando a gente se apaixona, é como se fosse adolescente de novo. Todas aquelas situações ridículas acontecem, e a gente não se percebe com os olhos brilhando, cada vez que ele/a passa.
Parece que pensa doce feito chocolate, perfumado feito flor, macio feito veludo e longe feito arco-íris. As esperanças se renovam, a rotina dá lugar às nossas pequenas loucuras, volta e meia falamos desse alguém especial.
Paixão correspondida mesmo, essa ninguém desbanca. O mundo pode estar no caos, crise financeira, casa pegou fogo, família está longe, mas tudo bem... porque tenho alguém pra amar, alguém que me ama também.
Melhor ainda é quando essa paixão faz todo esse bem e não desequilibra a gente.
Quando a gente dá passos juntos na direção um do outro, com aquelas bochechas rubras, as mãos suando, as borboletas na barriga e o arrepio na espinha. E quando as mãos se tocam, como que numa corrente elétrica se complementam e se unem. Lábios se procuram sedentos de um beijo que acontece tão natural que nem parece a primeira vez, derretendo, deixando as pernas moles e o coração acelerado.
E os passos seguem ainda juntos, agora em direção ao incerto. Porque paixão tem dessas coisas, ela aparece sem avisar e vai embora quando lhe apraz. Mas quando fica, ah... aí tudo começa de novo, nas expectativas e sonhos, por um futuro, semeando um amor.