Da sinceridade
Passei os últimos dias conversando, e muito, com pessoas
muito diferentes entre si.
Os temas eram tão variados quanto as personalidades e formas de vivenciar a vida.
Mas eu questionei um ponto em comum com todas essas pessoas, que é a dificuldade que as pessoas tem de serem transparentes, de abdicar das máscaras da conveniência e apenas serem o que são. Sem fingimento, necessidade de status, enganação e mentira.
Bem, o que me impressionou não foi a resposta unânime: “Mas se todos falassem o que pensam não daria certo.” O que me impressionou foi a ausência de um mas, ou de tentar encontrar uma saída pra que isso pudesse funcionar.
Eu sei bem como é isso de falar a coisa certa na hora errada. Cheguei a ser apelidada por conta da minha sinceridade excessiva e carrego esse apelido até hoje, com certo orgulho.
Claro, tive que fazer ajustes, e de vez em quando preciso revisar alguns parâmetros que encontrei pra poder agir dessa forma. Desconfio que tenha algum mecanismo no meu cérebro que funcione ao contrário, pq tenho inclusive, dificuldade para identificar as ironias alheias em algumas situações. Acredito que estão falando sério e passo de trouxa. ¬¬
Mas nunca desisti de agir dessa forma.
Sim, precisamos de máscaras.
Sim, precisamos de certo grau de hipocrisia.
Sim, uma boa dose de paciência é bem vinda.
Mas aí é que está a questão. Se é por respeito ao outro, sua opinião ou sentimentos, que estamos usando determinada máscara em determinada situação, não seria melhor simplesmente falar a verdade?
Ser sincero não significa falar tudo o que pensa, isso aprendi com a vida. Certas opiniões, certezas, pensamentos e ideias não precisam, nem devem ser divididas. Mas isso nada tem a ver com a sinceridade, tem a ver com ter um filtro de bom senso. É ter a percepção de que não há nenhuma utilidade para essas palavras, que são infrutuosas, indesejáveis e apenas causariam constrangimento ou reações negativas (ainda que apenas internas). É como diz o ditado, “Se não tem algo bom pra falar, preferível que não fale nada”. Se vai falar algo verifique se é agradável, construtivo ou útil. Senão, o silêncio será a melhor opção, sempre. Não é à toa que temos uma boca e dois ouvidos.
Então veja bem, o problema não está na sinceridade. Muitas vezes, não é o que se fala que causa problemas, mas sim, como se fala. É compreensível, por exemplo, certo grau de revolta com determinada situação. Porém não é justificável usar de grosseria, palavras de baixo calão, elevar o tom de voz, ser agressivo, sádico ou prepotente. Isso não é ser sincero, isso é ser mal educado.
Vejo constantemente situações em que as pessoas optam por uma abordagem lateral, usando de indiretas e esperando que o outro entenda o que está sendo solicitado ou falado. Bem, caberia lembrar que somos todos muito diferentes, e o que é óbvio pra mim não é necessariamente óbvio para você. Quando esse impasse se coloca entre as pessoas, raramente elas percebem e costumam usar uma cortesia hipócrita para contornar o problema, repetidamente, até que ele se torne uma gigante bola de neve. E quando finalmente essas pessoas enfrentam a situação, já estão saturadas e profundamente irritadas ou magoadas com ela.
Outro problema é que as pessoas economizam palavras, economizam comunicação. Sei lá eu porque. Não são acostumadas a elogiar, a usar a gentileza, um toque de carinho no dia a dia.
Geralmente são essas mesmas pessoas que acham que sinceridade é algo ruim, pois só a usam quando precisam dar uma bronca, reclamar ou expurgar determinada questão. Veja bem, o bom trato não é merecimento, é cortesia, é necessidade.
Não tratamos as pessoas pela cor dos seus olhos, suas roupas, seu dinheiro ou seja lá quais sejam os padrões que costumam usar para diferenciar tratamentos. Eu acredito que devemos tratar as pessoas bem, com gentileza, educação, carinho e respeito... sempre que possível. Às vezes mesmo quando ela não merece.
Bem, agora a questão é, como cada um faz uso desses predicados. Só a noção de respeito, já é diferente de pessoa para pessoa, pra se iniciar a exemplificação da complexidade nas relações humanas.
Cada ser constrói seus conceitos de acordo com as vivências e as informações a que tem acesso no decorrer da sua vida. Assim, algumas pessoas acreditam que é falta de respeito arrotar na frente de um amigo, enquanto outras se divertem fazendo isso juntas.
Eu acredito que tudo tem hora e lugar, inclusive a sinceridade.
Certamente não vale à pena ser sincero com alguém que jamais tira suas máscaras. É perda de tempo e saliva. Eu preferiria afastar essa pessoa do meu convívio e no caso de não ser possível, passar o menor tempo possível perto dela. Gente assim me causa calafrios. Chega a beirar certo grau de psicopatia.
E pra colocar a cereja no nosso bolo, entra a questão da aceitação.
Não obstante as pessoas tem séria dificuldade para aceitarem a si próprias. Olham no espelho usando uma máscara para si mesmas, tentando fingir que não tem defeitos ou limitações, impedindo seu próprio crescimento e evolução.
Agora imaginem vocês a dificuldade que essa mesma pessoa tem em aceitar pessoas que seja diferente dela, ou mesmo, pessoas que sejam exatamente iguais em defeitos e qualidades. É comum o defeito que temos estar refletido nos outros e nos incomodar profundamente, desenvolvendo antipatia e asco a determinada/o cidadã/o.
Aceitar as pessoas pelo que elas são é tão difícil quanto encontrar a hora certa para ser sincero/a. Aceitar que algumas pessoas são nossos opostos totais, e mesmo assim merecem nosso respeito e nossa sinceridade, é uma luta constante contra nosso ego e nossas convicções mesquinhas.
Eu gosto de nudez, mas acho vulgar usar mini saia em determinado ambiente. Quando me vejo de frente com essa situação, hoje, procuro repetir pra mim mesma: “Se ela é feliz assim, quem sou eu pra julgar?”
A aceitação é o oposto do julgamento, e já não é sem tempo entendermos que ninguém nesse mundo está em posição de julgar. Não existe vítima ou atroz, não existem juízes e condenados. Isso seria fazer papel de advogado do diabo, usando sempre pesos e medidas diferentes ou uma justiça cega que não leva em consideração os atenuantes, o histórico, as motivações e concepções individuais.
Aceitar é parar de julgar alguém sempre certo e alguém sempre errado. Porque não existe em cima ou embaixo, não existe certo e errado. Existe apenas o que faz bem e o que faz mal.
E se faz mal, seja pra gente, seja pros outros, precisa ser mudado.
Mudar, adaptar, misturar, crescer.
A sinceridade, ao meu ver, é o meio mais rápido que há para que duas pessoas aprendam a se respeitar, a se amar verdadeiramente. Isso não está restrito aos relacionamentos amorosos, muito menos aos familiares ou às amizades. Isso abrange todas as pessoas com quem convivemos.
Certas verdades são amargas, mas precisam ser ouvidas, há necessidade de intervenção.
Outras verdades são doces e afáveis, nos colocam em contato com nossa essência e fazem florescer uma luz que ilumina e aquece corações.
Já outras verdades, devem ficar apenas em nosso pensamento, fazendo seu papel de equilibrar nossa vida.
Os temas eram tão variados quanto as personalidades e formas de vivenciar a vida.
Mas eu questionei um ponto em comum com todas essas pessoas, que é a dificuldade que as pessoas tem de serem transparentes, de abdicar das máscaras da conveniência e apenas serem o que são. Sem fingimento, necessidade de status, enganação e mentira.
Bem, o que me impressionou não foi a resposta unânime: “Mas se todos falassem o que pensam não daria certo.” O que me impressionou foi a ausência de um mas, ou de tentar encontrar uma saída pra que isso pudesse funcionar.
Eu sei bem como é isso de falar a coisa certa na hora errada. Cheguei a ser apelidada por conta da minha sinceridade excessiva e carrego esse apelido até hoje, com certo orgulho.
Claro, tive que fazer ajustes, e de vez em quando preciso revisar alguns parâmetros que encontrei pra poder agir dessa forma. Desconfio que tenha algum mecanismo no meu cérebro que funcione ao contrário, pq tenho inclusive, dificuldade para identificar as ironias alheias em algumas situações. Acredito que estão falando sério e passo de trouxa. ¬¬
Mas nunca desisti de agir dessa forma.
Sim, precisamos de máscaras.
Sim, precisamos de certo grau de hipocrisia.
Sim, uma boa dose de paciência é bem vinda.
Mas aí é que está a questão. Se é por respeito ao outro, sua opinião ou sentimentos, que estamos usando determinada máscara em determinada situação, não seria melhor simplesmente falar a verdade?
Ser sincero não significa falar tudo o que pensa, isso aprendi com a vida. Certas opiniões, certezas, pensamentos e ideias não precisam, nem devem ser divididas. Mas isso nada tem a ver com a sinceridade, tem a ver com ter um filtro de bom senso. É ter a percepção de que não há nenhuma utilidade para essas palavras, que são infrutuosas, indesejáveis e apenas causariam constrangimento ou reações negativas (ainda que apenas internas). É como diz o ditado, “Se não tem algo bom pra falar, preferível que não fale nada”. Se vai falar algo verifique se é agradável, construtivo ou útil. Senão, o silêncio será a melhor opção, sempre. Não é à toa que temos uma boca e dois ouvidos.
Então veja bem, o problema não está na sinceridade. Muitas vezes, não é o que se fala que causa problemas, mas sim, como se fala. É compreensível, por exemplo, certo grau de revolta com determinada situação. Porém não é justificável usar de grosseria, palavras de baixo calão, elevar o tom de voz, ser agressivo, sádico ou prepotente. Isso não é ser sincero, isso é ser mal educado.
Vejo constantemente situações em que as pessoas optam por uma abordagem lateral, usando de indiretas e esperando que o outro entenda o que está sendo solicitado ou falado. Bem, caberia lembrar que somos todos muito diferentes, e o que é óbvio pra mim não é necessariamente óbvio para você. Quando esse impasse se coloca entre as pessoas, raramente elas percebem e costumam usar uma cortesia hipócrita para contornar o problema, repetidamente, até que ele se torne uma gigante bola de neve. E quando finalmente essas pessoas enfrentam a situação, já estão saturadas e profundamente irritadas ou magoadas com ela.
Outro problema é que as pessoas economizam palavras, economizam comunicação. Sei lá eu porque. Não são acostumadas a elogiar, a usar a gentileza, um toque de carinho no dia a dia.
Geralmente são essas mesmas pessoas que acham que sinceridade é algo ruim, pois só a usam quando precisam dar uma bronca, reclamar ou expurgar determinada questão. Veja bem, o bom trato não é merecimento, é cortesia, é necessidade.
Não tratamos as pessoas pela cor dos seus olhos, suas roupas, seu dinheiro ou seja lá quais sejam os padrões que costumam usar para diferenciar tratamentos. Eu acredito que devemos tratar as pessoas bem, com gentileza, educação, carinho e respeito... sempre que possível. Às vezes mesmo quando ela não merece.
Bem, agora a questão é, como cada um faz uso desses predicados. Só a noção de respeito, já é diferente de pessoa para pessoa, pra se iniciar a exemplificação da complexidade nas relações humanas.
Cada ser constrói seus conceitos de acordo com as vivências e as informações a que tem acesso no decorrer da sua vida. Assim, algumas pessoas acreditam que é falta de respeito arrotar na frente de um amigo, enquanto outras se divertem fazendo isso juntas.
Eu acredito que tudo tem hora e lugar, inclusive a sinceridade.
Certamente não vale à pena ser sincero com alguém que jamais tira suas máscaras. É perda de tempo e saliva. Eu preferiria afastar essa pessoa do meu convívio e no caso de não ser possível, passar o menor tempo possível perto dela. Gente assim me causa calafrios. Chega a beirar certo grau de psicopatia.
E pra colocar a cereja no nosso bolo, entra a questão da aceitação.
Não obstante as pessoas tem séria dificuldade para aceitarem a si próprias. Olham no espelho usando uma máscara para si mesmas, tentando fingir que não tem defeitos ou limitações, impedindo seu próprio crescimento e evolução.
Agora imaginem vocês a dificuldade que essa mesma pessoa tem em aceitar pessoas que seja diferente dela, ou mesmo, pessoas que sejam exatamente iguais em defeitos e qualidades. É comum o defeito que temos estar refletido nos outros e nos incomodar profundamente, desenvolvendo antipatia e asco a determinada/o cidadã/o.
Aceitar as pessoas pelo que elas são é tão difícil quanto encontrar a hora certa para ser sincero/a. Aceitar que algumas pessoas são nossos opostos totais, e mesmo assim merecem nosso respeito e nossa sinceridade, é uma luta constante contra nosso ego e nossas convicções mesquinhas.
Eu gosto de nudez, mas acho vulgar usar mini saia em determinado ambiente. Quando me vejo de frente com essa situação, hoje, procuro repetir pra mim mesma: “Se ela é feliz assim, quem sou eu pra julgar?”
A aceitação é o oposto do julgamento, e já não é sem tempo entendermos que ninguém nesse mundo está em posição de julgar. Não existe vítima ou atroz, não existem juízes e condenados. Isso seria fazer papel de advogado do diabo, usando sempre pesos e medidas diferentes ou uma justiça cega que não leva em consideração os atenuantes, o histórico, as motivações e concepções individuais.
Aceitar é parar de julgar alguém sempre certo e alguém sempre errado. Porque não existe em cima ou embaixo, não existe certo e errado. Existe apenas o que faz bem e o que faz mal.
E se faz mal, seja pra gente, seja pros outros, precisa ser mudado.
Mudar, adaptar, misturar, crescer.
A sinceridade, ao meu ver, é o meio mais rápido que há para que duas pessoas aprendam a se respeitar, a se amar verdadeiramente. Isso não está restrito aos relacionamentos amorosos, muito menos aos familiares ou às amizades. Isso abrange todas as pessoas com quem convivemos.
Certas verdades são amargas, mas precisam ser ouvidas, há necessidade de intervenção.
Outras verdades são doces e afáveis, nos colocam em contato com nossa essência e fazem florescer uma luz que ilumina e aquece corações.
Já outras verdades, devem ficar apenas em nosso pensamento, fazendo seu papel de equilibrar nossa vida.
Mas não, o mundo não seria um lugar pior se as pessoas se
livrassem de suas máscaras. A gente nasce sem elas, e é isso que mais admiramos
nas crianças. Mas vontade de aprender, de evoluir, é coisa rara nesse mundo. As
gentes são preguiçosas demais e usam qualquer desculpa para não precisar
encarar suas próprias verdades.
Então eu cheguei à conclusão de que o problema não está na
sinceridade, mas sim na preguiça que as pessoas tem de criar laços verdadeiros,
pois isso dá trabalho. E tem aquela do principezinho e sua rosa, “você se torna
eternamente responsável pelo que cativa”. Quem quer se importar com os outros
nesse mundo?
Só mesmo gente louca, né? ;)
