Da realidade por trás das expectativas
Não
alimente expectativas, alimente sonhos e apenas aqueles que só dependem de
você.
De
todos os relacionamentos que estão fadados a ruir, praticamente todos cairão
quando as expectativas finalmente não puderem mais ser alimentadas.
Quando
a realidade se torna ruidosa demais para ser ignorada.
Digo isso por experiência própria e por tudo que já pude observar no mundo ao meu redor, quando ouvia as reclamações de amigas/os e desconhecidas sobre seus parceiros e parceiras.
Digo isso por experiência própria e por tudo que já pude observar no mundo ao meu redor, quando ouvia as reclamações de amigas/os e desconhecidas sobre seus parceiros e parceiras.
Eu
não crio mais expectativas, criei foi vergonha na cara, e assumi a
responsabilidade pela minha própria felicidade. Ou, pelo menos, para vivenciar
os momentos felizes que a vida me presenteia.
Mas
assim como você, escorrego vez ou outra, quando coloco os olhos naquela pessoa
maravilhosa que parece ter caído do céu. Tudo bem, meu bem. Merecemos redenção
por este pecado tão comum.
Afinal,
não há ser humano saudável que nunca tenha sonhado e instituído qualidades a
alguém que mal conhecia. É enfim, prerrogativa básica, saber o que buscamos no
outro, para enfim reconhecê-lo quando bater à nossa porta. O problema é que na
maior parte das vezes nos perdemos numa construção quase que a la Dr. Frankenstein da pessoa que um
dia supostamente nos fará felizes. Sabe aquela idealização do príncipe
encantado, da super mulher?
Aquela
pessoa que jamais iria te magoar ou entristecer, que conhece todos os seus
gostos e segredos, que te enlouquece de prazer no sexo e sabe como te agradar
como ninguém. Nunca tem ciúme, lava a louça, faz comida, arruma a casa, está
sempre limpinho/a e perfumado/o, te enche de mimos e adora quando você fica de
mau humor. Uma espécie de super herói/heroína que te salva das piores situações
sem jamais te questionar como é que foi parar ali. A perfeição em pessoa, com
direito a romance, maturidade emocional, beleza física e intelectual, que te
ame exatamente do jeito que você é sem tirar nem pôr.
Chega
a ser uma espécie de alienação do tempo-espaço onde ambos já atingiram a
perfeição enquanto pessoas e enquanto casal.
Deus
me livre de algo assim.
Porque
sou imperfeita, e é exatamente por isso que tenho sempre comigo a chave que
oportuniza um crescimento constante como pessoa, como mulher, mãe,
profissional, amante, amiga e das tantas outras facetas que a vida nescessita
de mim.
Eu
tenho defeitos, eu erro, peço arrêgo. Às vezes não cumpro com algo que
combinei, sinto ciúme, raiva, tristeza, medo. Às vezes minha casa fica uma
bagunça, às vezes não cuido bem de mim. Tenho derrotas no meu currículo,
geralmente antes das vitórias. Tenho manias, há coisas que não suporto e outras
que jamais admitiria. Tenho um coração cicatrizado no peito e sinto uma
satisfação particular em saber que um homem que estuprou será estuprado na
cadeia, ou quando o boi açoita o homem que lhe persegue numa farra ou torneio.
Essa
conscientização dos nossos defeitos e qualidades chega com o tempo, até mesmo
com a idade. Quando nos despimos antes de mais nada das expectativas e ideais
que temos a nosso próprio respeito, e encaramos o espelho com sinceridade.
Quando entendemos que não estamos vivos para viver de expectativas,
especialmente as alheias. Aí, e só aí, é possível iniciar o caminhar na direção
da felicidade.
O
que exigir a perfeição alheia faria de mim? Hipócrita, no mínimo.
Mas
além das questões morais, faria de mim uma pessoa eternamente insatisfeita.
Daquelas que nada nem ninguém consegue satisfazer. Que se isola numa ilha
cercada de tubarões e sinceramente espera que alguém tenha coragem suficiente
de superar todos os obstáculos e lhe resgatar de si mesma para que encontrem
alguma felicidade nessa vida.
Ao
depositar no outro a responsabilidade pela nossa satisfação interna fadamos o
relacionamento e nossa própria vida pessoal à derrota, à frustração constante,
à infelicidade, ao ressentimento velado.
Por
isso repito, não alimente expectativas, alimente sonhos, em especial aqueles
que dependem de você.
Deixe
para o outro o que cabe ao outro. Ser. A naturalidade em existir como um ser
humano integral. Onde há espaço para os defeitos e erros, mas há antes de mais
nada uma ambição saudável por crescimento, por superar limites e renascer a
cada novo desafio.
Tenha
suas próprias metas antes de desejar a evolução alheia. Tenha sua
independência, fomente sua evolução interna, tenha sua carreira, seus amigos,
sua vida!
Ao
fazer o que você gosta, ao lutar pelos seus sonhos, ao buscar sua realização
pessoal, é muito provável que encontre pessoas em sintonia com seu caminho. É
mais fácil que em vez de lutar contra as expectativas, você esteja
complementando e melhorando sua experiência de vida ao harmonizar seus dias com
pessoas que compartilham dos seus conceitos e objetivos.
Antes
de criar a pessoa ideal em sua mente, seja uma pessoa ideal.
Antes
de exigir mudanças, mude em você aquilo que está lhe impedindo o crescimento.
Ao
doar, encontrará aquilo que lhe apraz no outro e esse processo será natural,
pois apenas ao existir, essa pessoa lhe fará bem. Sem cobranças, sem
exigências, sem artificialidades.
Mergulhe
no auto-conhecimento. Nade com ninfas e sereias, permita-se se perder nos mitos
internos até que se dissipem e a realidade se torne palpável, mensurável e
você, perfeita/o em sua imperfeição. "Sou um resumo do que vivi até agora,
uma mistura da influência de pessoas, circunstâncias, conceitos, desejos e
buscas. Sou, portanto, o meu melhor".
A
perfeição é, senão um estado em constante mutação, eterno aprimoramento.
Vejo
e reverencio a centelha divina que lhe habita, acolho e aceito você pelo que é
e ao seu lado busco no presente e no futuro o crescimento que nos é reservado.
