Shakti




Shaktí, termo que significa energia, e por extensão designa a companheira tântrica, que pode ser esposa, amante ou amiga. Um dos conceitos mais encantadores do Tantra ensina que, “para o homem, a mulher é a manifestação vivente da própria divindade e, como tal, ela deve ser reverenciada e amada. A recíproca é verdadeira, pois a mulher desenvolve um sentimento equivalente em relação ao homem.”

Portanto, uma das características do Tantra é a posição sempre privilegiada da mulher, durante o intercurso sexual. Ela assume um papel livre, partilhando com seu parceiro do prazer que ela proporciona aos dois. Cabe aí a quebra de paradigmas comuns em nosso meio, o de que o homem “domina” a mulher, de que ela é senão uma alienada que precisa ser o tempo todo ensinada, ajudada, amparada, pois se lhe faltar o braço forte do homem ela será capaz de cair.

A shaktí é livre. Não cabe nem a ela e nem a seu Shakta (parceiro) grosserias relacionadas a ciúme e possessividade. Ela é mais sensual do que as mulheres comuns, por ser menos reprimida.
Não fica esperando que o homem a procure sempre que ele desejar sexo, afinal, ela não é seu objeto. Tem vontades e desejos próprios, ou num determinado momento, não os têm.
Portanto, a mulher tântrica não se roga de poucas belezas; se quer dançar, chama o homem para dançar. Se quer sexo, busca seu parceiro com a mesma confiança que lhe cabe, sabendo que é mulher forte, decidida e bela.
Contudo, a mesma educação, sensibilidade, delicadeza e senso de oportunidade que se exige do homem ao ser abordado, também ela deverá exercer.
Já o homem tântrico, novamente quebrando preconceitos, é discreto. Não assedia, não é inconveniente, não age feito um predador faminto. Ele vislumbra que é escolhido, tanto quanto escolhe. Não assume o papel de moderador, tentando controlar a situação como se fosse seu papel como “macho” da relação, subjugando as vontades de sua mulher.
Se ele quer que a mulher tântrica seja mais espontânea, tenha mais iniciativa para demonstrar que deseja uma aproximação, precisa dar-lhe espaço, jamais sufocá-la.

Os 4 Tipos de Shaktí, de acordo com seus elementos

Prithiví Shaktí – Energia da Terra
Inerte como a terra, é o tipo de parceira que não tem muita energia sexual ou que não tem disposição suficiente, ou que tem alguma disfunção orgânica ou psicológica, incluindo-se aqui tanto as frígidas quanto as que manifestam baixa necessidade de sexo e, ainda, as muito reprimidas.

Apas Shaktí – Energia da Água
Passiva, que se acomoda com o formato do recipiente, é o tipo de companheira que tem razoável disposição, mas que não toma muita iniciativa e poderá até conseguir uma ótima performance desde que o homem conduza a situação. Se o homem não estiver a fim de sexo, ou se não estiver a fim dela, ou se estiver cansado, ela simplesmente não fará nada para reverter a situação. Noutras palavras, se o homem estiver com ereção eles irão ter um contato sexual; se ele não estiver com uma ereção ela não saberá o que fazer, ou não quererá fazê-lo, ou será muito reprimida para tanto.

Vayu Shaktí – Energia do Ar
Ativa, livre como o ar, é o tipo de mulher que tem ótima sexualidade e toma a iniciativa. Se o homem não estiver a fim de sexo, ou não estiver a fim dela, ou estiver cansado, ela simplesmente reverte a situação através dos mais diversos artifícios, desde um olhar flamejante, um sorriso cativante, uma caretinha graciosa, um dengo, uma palavra, um tom de voz, cabelos, roupas ou adereços sedutores, carícias, expressão corporal e o que mais for necessário. Ela fará o diabo, mas que conseguirá extrair uma ereção daquele preguiçoso, lá isso conseguirá.

Agni Shaktí – Energia do Fogo
Fulgurante como o fogo, é muito semelhante ao tipo anterior, com uma sutil diferença. Ela não dependerá da ereção e conseguirá exrair prazer de praticamente qualquer parte do corpo do homem, independentemente da participação dele. Ela fará a festa mesmo que o parceiro esteja dormindo e acordará até defunto. É a super-parceira, que todo homem quer ter. Mas se você é mulher e está lendo estas linhas, cuide para ter o bom-senso de respeitar os limites quando o homem não quer mesmo e saiba parar antes de levar um fora.

Seduzir? Sempre!

Invadir, jamais!

Obs.: Parte do artigo foi parafraseado de um texto baseado na linha Dakshinachara Tantra, ou Tantra Branco. Infelizmente não disponho da fonte para mais informações.