Já escrevi para os apaixonados não correspondidos*. Mas o tema continuou ecoando na minha mente, até que encontrei o motivo: toda história tem dois lados, afinal.
Hoje vamos discorrer acerca dos alvos das paixões, paixonites, tesão e/ou interesse não correspondidos.
Você está vivendo sua vida, seguindo seu rumo, tratando de se fazer bonita/o e confiante para matar 1 leão por dia. Cruza com certo indivíduo desavisado, criatura carente (ou não), que ao colocar os olhos em você se encanta imediatamente.
É aquele olhar que você conhece muito bem, seguido de trejeitos atrapalhados e um misto de vontade e pudor. A pessoa se derrete sem que você esboce o menor interesse por ela.
Se apaixona e cria ilusões sobre quem você é, a possibilidade de vivenciarem algo, e em alguns casos chega a se convencer de que você está realmente interessada/o, mas é tímida/o demais para demonstrar.
Faz parte. Você bem sabe como é isso, todo adolescente passa por situações parecidas (milhares de vezes) até chegar à maturidade emocional, até que os hormônios finalmente se equilibrem. É aquela sensação de atração desmedida, sem motivo, que toma seu raciocínio lógico e esconde de você sempre que aquela pessoa deslumbrante está por perto. Suas mãos suam, seu coração palpita, sua boca fica seca, seus olhos procuram incessantemente pelo vislumbre daquela beleza ímpar, sua voz parece não sair. Quando longe, o pensamento voa descontrolado, cogitando e ensaiando cenas, diálogos, encontros românticos.
É a tal da paixão, ou mesmo da paixonite fugaz, que quando não desemboca em realidade, logo encontra um novo alvo para se manifestar, e assim sucessivamente até que encontre vazão e seja correspondida.
Mas que culpa eu tenho de causar isso? Nenhuma. Eu estava levando meu dia e a pessoa aparece na minha frente, olhando daquele jeito meio estranho, criando expectativas vãs por conta própria. Problema mesmo é quando é alguém que de alguma forma "faz parte" da sua vida, que sempre esteve ali naquele local (e horário) que você precisa frequentar, mas agora parece se destacar da multidão com aquela postura que chega a incomodar, te deixar desconfortável mesmo.

Se a pessoa vem conversar, eu até daria um jeito de demonstrar que não rola. Mas tem gente que parece (ou ainda é) adolescente, que provoca encontros, que se aproxima ou te encara sem parar, mas quando você olha, desvia o olhar depressa, nervosa.
É paixão infantil mesmo.
Nesse caso, o jeito é ignorar, fingir que não percebeu. Apesar de encher o saco, em alguns casos. Mas, fazer o que, se você aborda a pessoa na intenção de desfazer aquele mal entendido, é bem capaz dela se iludir ainda mais ou fingir que não sabe do que você está falando. Melhor deixar pra lá e fazer cara de paisagem. Uma hora passa.
Tem aqueles casos em que não é paixão, não é romance com intuitos de sedução. Há situações em que não passa de atração sexual, pura e simplesmente.
A pessoa te olha de cima abaixo, te comendo com os olhos, sem o menor pudor. Avança energeticamente sobre seu espaço e impõe sua presença de forma desagradável, agressivamente. Nesses casos é importante manter a calma, a compostura e principalmente bloquear esse assédio energético. Literalmente ignore a pessoa se ela não lhe respeita. Use a técnica do espelho e faça com que tudo que vem na sua direção se reflita e não consiga penetrar seu espaço mental a ponto de lhe perturbar. É realmente um exercício e às vezes pode não ser suficiente. Não exite em se afastar fisicamente ou sair da vista se o desconforto for grande demais, é seu direito reservar-se, sentir-se em paz.
É claro que há casos em que é você o problema. A pessoa lhe observa porque te acha gostosa/o, interessante, exótica. E é natural, afinal, não? Você é atraente.
E quando a gente está para poucos sorrisos, às vezes incomoda, quando os olhares se voltam na sua direção e tudo o que você quer é ser deixada/o em paz.
Sugiro que num dia assim se camufle, utilize roupas que não valorizem tanto sua beleza.
Toda pessoa pode, se desejar, atrair olhares da mesma forma que pode afastá-los.
Em tempos virtuais, existe ainda outro tipo de assédio, seja por paixonite ou atração sexual: redes sociais. Praticamente todas as pessoas antenadas ao mundo atual possuem um perfil de rede social. É importante que todos se conscientizem de que a exposição continua sob seu controle. Você adiciona os amigos que desejar, posta textos, fotos ou comentários a seu bel prazer e, portanto é responsável pelo que expõe ao mundo.
Filtre quem tem acesso a determinadas informações ou imagens, não se exponha exageradamente a ponto de mostrar sua intimidade ou informações pessoais que comprometam até mesmo sua segurança.
Você não tem absolutamente nenhuma obrigação. Nem ali nem em lugar nenhum.
O livre-arbítrio se manifesta em um mundo globalizado, sob qualquer instância.
Você colhe o que planta, ou nesse caso, o que posta.
Citando a obra de Antoine de Saint-Exupéry, você se torna eternamente responsável por quem cativa. Portanto não sejamos inconsequentes, levianos.
Ao iniciar um relacionamento com alguém, seja de que tipo for, é responsabilidade de cada um usar de sinceridade, honestidade e diálogo.
Se não tem interesse em algo além, estabeleça uma conversa franca para que nenhuma das partes entre no barco desavisadas das intenções alheias. Não há espaço para vítimas ou algozes quando tudo fica às claras.

E se você começou algo que não conseguiu terminar, tenha a gentileza de fazer o que deve ser feito. Ignorar uma pessoa que demonstra interesse por você, lhe envia mensagens e lhe procura para conversar é antes de mais nada, falta de respeito.
Não seja infantil, abra o jogo.
E outra, colocar gente na geladeira pra "comer" depois é de muita grosseria e insensibilidade. Não brinque com sentimentos alimentando expectativas alheias, mesmo que seja através do silêncio que se abstém.
Nessa vida tudo que vai, volta. Não faça à outra pessoa o que não desejaria que fizessem com você. Haja com respeito à dignidade alheia, gentileza, responsabilidade, educação.
Não responder alguém que lhe procura em detrimento de uma postura madura que esclarece e finaliza algo que está sendo desagradável para ambas as partes, é coisa de gente burra, convenhamos.
Conversar é sempre a melhor saída, e se a outra parte não entende, ou prefere fingir que não entende, aí sim, é seu direito e dever se afastar de forma que ninguém mais fique preso a uma situação desagradável e inconveniente.
Ninguém tem culpa de se apaixonar ou ser alvo de uma paixonite. Mas cada qual é responsável por si e na mesma medida por quem cativa. E para cativar é necessário tempo suficiente para se criarem laços, assim como é necessário tempo para desfazê-los.

Paciência é a pedida, com toques de respeito, cordialidade, compreensão.
Faça sempre o que gostaria que fizessem se fosse você naquelas circunstâncias, a tão pouco praticada empatia. E tudo vai ficar perfeitamente bem.