Carta erótica de James Joyce a sua esposa


A Nora Barnacle Joyce
22 de dezembro de 1909
Rua Fontenoy, 44, Dublin
Minha querida,
Talvez eu devesse começar pedindo perdão pela carta extraordinária que te escrevi na noite passada, enquanto eu a escrevia, a tua carta estava pousada diante de mim e os meus olhos estavam fixos como ainda estão numa certa palavra escrita nela. Há algo de obsceno e lúbrico na própria aparência das letras, o seu som é também como o próprio ato: breve, brutal, irresistível e perverso!
Você me agradece o belo nome que te dei.
– Sim amorzinho, é um belo nome.
Minha linda flor silvestre da cebis, minha flor azul-escura molhada de chuva, mas ao lado e no interior desse amor espiritual que sinto por você, há também uma ânsia selvagem impestial por cada centímetro do teu corpo, por cada parte secreta e indecente dele. Por cada um dos teus odores e atos.
Meu amor por você me permite rogar ao espírito da eterna beleza e ternura refletido nos teus olhos ou te lançar debaixo de mim, deitada sobre essa tua barriga macia e te foder por trás como um porco montado numa porca, me gloriando no próprio fedor e no suor do teu traseiro. Me gloriando na vergonha exposta do teu vestido virado pra cima e da tua calça branca de mocinha e no tumulto das bochechas ardentes e do cabelo emaranhado.
Ele permite que eu me debulhe no choro de piedade e amor à menor palavra ou que eu me deite contigo com a cabeça nos pés sentindo os teus dedos afagarem e coçarem o meu saco, o que eu tenha sobre mim a tua bunda e que teus lábios quentes chupem o meu pau enquanto a minha cabeça se enfia entre as tuas coxas grossas, que as minhas mãos apertem as almofadas redondas da tua bunda, e a minha língua lamba sofregadamente a tua viçosa boceta vermelha.
Você se lembra do dia em que puxou para cima as tuas roupas e me deixou ficar sob você olhando para cima enquanto você fazia? Depois você ficou com vergonha até de me olhar. Minha pica ainda está quente, e dura e trêmula depois da última e brutal socada dentro de ti quando um ninho suave cresce em meiga e piedosa adoração á ti desde os sombrios claustros do meu coração.
Nora meu amorzinho fiel, minha garota safada de olhos doces, seja a minha puta, a minha amante tanto quanto você queira, minha amantezinha danada. Minha maldita putinha, você é sempre a minha bela flor silvestre da cebis minha flor azul-escura molhada de chuva.